domingo, 18 de dezembro de 2011

Incógnita da natureza

Desejo tocar a epiderme nua do vento
E me deliciar no sabor insolúvel da brisa
Sentir a tez macia d’alvorada
Que goteja pedacinhos de mel
Na folhagem virgem da manhã!

Quero saber a sensação do vazio
E me sentir cheia do tudo-nada
Que nasce no escuro do alvorecer

Almejo encontrar a nota do canto do sabiá
E buscar a resposta para o rouxinol
Que embebeda de beleza cada manhã

Mas a sabedoria nua da natureza
É tão misteriosa como a madrugada que se foi
E o que nela menos se apresenta
É o que mais se esconde

Por quê? Pra que? Pra onde?
Ninguém responde...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Um herói


Um dia saí a procurar um herói
Vaguei dias e noites
Andei em meio a multidão
E em plena solidão
Passei por terras íngremes e planas
E caminhei.
Caminhei por lugares que não conhecia
Veredas que nunca imaginei
Mas que pareciam tão familiares
Como minha terra de infância
Havia aqui, ali e acolá
Uma coisa que me dizia:
“seu herói aqui está”
Mas não o vi em nenhum lugar
Só os mesmos rostos
Alguns tristes, sombrios
Outros me diziam pelo olhar:
“a vida é dura,
Mas, vale a pena continuar...”
Retornei um pouco sem jeito
Meio cabisbaixa, sem coragem
A vida tão difícil
Um mundo tão cruel
E nosso herói que se esconde
Ou será que não existe?
Fiquei meditando, pensando
Nos lugares por onde andei
Nas terras por onde caminhei
E nos rostos que vi...
Vi uma mãe com cara cansada
Mas brincava tão afável com seu filho...
Um jovem na cadeira de rodas
Que passava e sorriu pra mim!
Um vendedor de balas suado
Mas com um carisma e marketing fabulosos...
Então me dei conta
Que tinha encontrado meu herói
Meu herói sofrido, cansado, doído
Mas que não desiste da vida
Continua lutando
O José que continua marchando
E então percebi
Que cada um de nós
Pode ser um herói
Só depende de você
E das escolhas que faz na vida.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Ainda dá tempo


A meu pai...
A vida não quis
Que fôssemos unha e carne
A vida não quis
Que fôssemos uma família feliz
A vida foi ingrata conosco
Ou será que os ingratos fomos nós?
O que fizemos para manter a união?
Que atitudes tomamos de confraternização?
Agimos tolamente
Deixamos que o egoísmo
Tomasse conta de nós
E aqui estamos
Distantes, separados
Será que ainda existe
Algum elo entre nós?
Espero que sim
Pois, se não existir
Lutarei até o fim
É muito triste viver sem você
É muito triste não ouvir:
“Eu te amo e me orgulho de você”
Por favor, não se afaste de mim
Não me deixe tão triste assim...