sábado, 27 de março de 2010

Vou-me para Brasília

Vou-me para Brasília
Lá sou amiga de Lula
Lá tenho cartão de crédito
E jatinho particular

Vou-me para Brasília
Lá tem muita corrupção
Lá vivo a vida cantando
“Não é minha culpa não”

Vou-me para Brasília
Lá todo dia tem propina
Tem mensalão e tudo mais
Pra que vou querer outra vida?

Vou-me para Brasília
Lá ponho dinheiro na cueca
Ponho na meia, na bolsa
E onde espaço tiver

Vou-me para Brasília
A vida lá é contentamento
Lá farei tudo que quero
E aquilo que bem entendo.

E quando tiver vontade
De ser honesto e gente de bem
Deixo de ser político
E viro um Zé ninguém.

sábado, 20 de março de 2010

Mulher

Meu corpo tão puro
Tão frágil e tão forte
Nascente fecundo
Da vida que emana
Se faz tão fútil
Simplório, tão fraco
A cada maltrato
Que sofre e se abala

A vida que carrego
Dentro de mim
Me torna o ser
Mais completo em si
Mas tal atributo
Tão esplendoroso
Se faz desprezado
Em sofrível desgosto

Eu lhe dou a vida
Eu lhe dou o prazer
Mas não sou objeto
A te pertencer
Não sou marionete
Em mãos tão tiranas
Que partam a vida
A doce esperança

Minha feminidade

Única, sublime
Deve ser asserto
Do cuidado infinito
Deve invocar o respeito
A doce ternura
E dar a certeza
De que tal bela criatura
É ser divino

De esplendida formosura.