domingo, 26 de julho de 2009

Capitu

Quem já leu o livro "Dom Casmurro" de Machado e assistiu a feliz adaptação da Globo do livro, compreenderá o que me moveu a escrever esse poema!
A música de fundo, que na minissérie marcava a aparição de Capitu, não podia ter sido melhor escolhida! Escrevi esse poema, ouvindo-a continuamente!
A seguir um video que fiz com imagens da mini-série e a transcrição do poema.
Espero que gostem do resultado!





Capitu

A Capitulina de Machado (ouvindo Elephant gun, Beirut)

Mesmo quando apareces de mansinho

Sinto sua presença

Envolvendo o ambiente...

É como se o ar se impregnasse de você

E num passe de mágica

O mundo se curvasse aos seus pés.

A doçura de sua voz

Chamando não sei o que ou quem

Entorpece e encanta a nós

Pobres mortais

Ouvir-te é inebriante

E ver-te inenarrável

Indescritível são meus sentimentos

Ao contemplar-te

Teu olhar arrasta-me até o céu

E ao mais cruel dos infernos

Pois há nele o mais coerente dos paradoxos

A mais acertada das antíteses

A mais doce das oposições

Um minuto ao seu lado

Parece uma vida de prazeres e sensações

Meu olhar paralisa, meu corpo emudece

E minha força desvanece

Somente ao te ver

Sua pele mais parece o puro cedro

Mistura de fortaleza e maciez

Se a tocasse morreria

Meu coração não resistiria

Quem mereceria tal favor?

Teu nome mais parece sentença

Capturaste-me, Capitu

Sem nem ao menos sentir

Ou sentes, já não o sei mais

E quando se vais

Tão lentamente como quando chegou

Surge um vazio

Uma dor inexplicável

Parece entorpecente, minuto inclemente

Venceste meu coração

E o levas cativo

Para que masmorra? Não sei...



quarta-feira, 8 de julho de 2009

Leitura

Estava entediada

Numa tarde enfadonha

Olhando em volta

Nada pra fazer

Adentrando meu quarto

Me deparei com você

E ao vê-lo

Que prazer me deu!

Viajei

Pr’outros mundos

Conheci Ásia e Europa

Fui camponês

Fui rei

Lutei com dragões e feitiços

Fui herói

Fui bandido

Amei loucamente

Sofri por amor não correspondido

Conheci os segredos da mágica

E a beleza dum baile a fantasia

Mas, de súbito:

“O que fazes criança?”

“Arre, mãe, tô lendo!”.