domingo, 27 de dezembro de 2009

O primeiro beijo


O que se sente no primeiro beijo?

As mãos tremem muito nervoso

No coração, um alvoroço

Respirações ofegantes

Pensamentos inquietantes.


Onde ocorre o primeiro beijo?

Num dia ensolarado, num jardim

Ao pôr-do-sol, quem sabe enfim

Pode ser à noite, no cinema

Na chuva, na praia, na fazenda.


Quando ocorre o primeiro beijo?

No primeiro encontro, pros apressados

No décimo, pros atrasados

Mas, para quem espera pacientemente

Ocorre quando se deve realmente.


Como é o primeiro beijo?

Uma bitoca bem recatada

Beijoca tímida, atrapalhada

Ou então aquele de cinema

Que tira o fôlego e rouba a cena.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ébano II


O negro tão sereno dos teus olhos
Me transmite a paz que eu preciso...

Sua pele cor da noite tão bela
Denota imperiosidade e força...

Você que é tão forte, tão viril, voz de trovão
Me causa espanto e admiração...

Meu Ébano, minha noite inenarrável
Quero tê-lo sempre ao meu lado...


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Inesquecível

Depois de tudo o que passamos

Depois de tudo o que sofri

A razão diz insistente

Pra tirar você de mim.

Tento te esquecer

Arrancar este sentimento

Arraigado persiste a crescer

Trazendo mais sofrimento.

Sofro porque não te tenho

Quero-te, mas longe estás

Muitos anos estão a discorrer

Por quanto tempo sofrerei mais?

O coração é mais forte

Pois só diz que é você

Meu príncipe galante

Não posso te esquecer.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Pensamento


Passeia, passeia se vai
Volta me leva e me traz
Viaja pra onde se quer
Concentra, dispersa
Sem pedir-me licença
Sem eira, nem beira
Ou compromisso
Me tira da terra
Me leva ao espaço
Que poder tens tu
Pra mexer com a mente?

domingo, 26 de julho de 2009

Capitu

Quem já leu o livro "Dom Casmurro" de Machado e assistiu a feliz adaptação da Globo do livro, compreenderá o que me moveu a escrever esse poema!
A música de fundo, que na minissérie marcava a aparição de Capitu, não podia ter sido melhor escolhida! Escrevi esse poema, ouvindo-a continuamente!
A seguir um video que fiz com imagens da mini-série e a transcrição do poema.
Espero que gostem do resultado!





Capitu

A Capitulina de Machado (ouvindo Elephant gun, Beirut)

Mesmo quando apareces de mansinho

Sinto sua presença

Envolvendo o ambiente...

É como se o ar se impregnasse de você

E num passe de mágica

O mundo se curvasse aos seus pés.

A doçura de sua voz

Chamando não sei o que ou quem

Entorpece e encanta a nós

Pobres mortais

Ouvir-te é inebriante

E ver-te inenarrável

Indescritível são meus sentimentos

Ao contemplar-te

Teu olhar arrasta-me até o céu

E ao mais cruel dos infernos

Pois há nele o mais coerente dos paradoxos

A mais acertada das antíteses

A mais doce das oposições

Um minuto ao seu lado

Parece uma vida de prazeres e sensações

Meu olhar paralisa, meu corpo emudece

E minha força desvanece

Somente ao te ver

Sua pele mais parece o puro cedro

Mistura de fortaleza e maciez

Se a tocasse morreria

Meu coração não resistiria

Quem mereceria tal favor?

Teu nome mais parece sentença

Capturaste-me, Capitu

Sem nem ao menos sentir

Ou sentes, já não o sei mais

E quando se vais

Tão lentamente como quando chegou

Surge um vazio

Uma dor inexplicável

Parece entorpecente, minuto inclemente

Venceste meu coração

E o levas cativo

Para que masmorra? Não sei...



quarta-feira, 8 de julho de 2009

Leitura

Estava entediada

Numa tarde enfadonha

Olhando em volta

Nada pra fazer

Adentrando meu quarto

Me deparei com você

E ao vê-lo

Que prazer me deu!

Viajei

Pr’outros mundos

Conheci Ásia e Europa

Fui camponês

Fui rei

Lutei com dragões e feitiços

Fui herói

Fui bandido

Amei loucamente

Sofri por amor não correspondido

Conheci os segredos da mágica

E a beleza dum baile a fantasia

Mas, de súbito:

“O que fazes criança?”

“Arre, mãe, tô lendo!”.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A matemática do amor

O que sinto por você

É mesmo uma incógnita

Um número complexo

Sem resolução.

Não sei explicar aquele x

Que me liga até você

Só sei que seu x me encontrou

E a função se formou.

Não é PA e nem PG

Mas cresce infinitamente

Você é o logaritmando

Que confundiu a minha mente

O triângulo da fórmula de Báscara

A raiz quadrada do meu coração

Com você não há número negativo

Muito menos um zero á esquerda

Pois te amo tanto quanto

O conjunto dos números naturais

E te amarei até

Ainda não descobri

A equação do nosso amor

Só sei que você encontrou

A equação do meu coração

E a potencializou mil vezes ao cubo

Subtraiu minhas dores

E dividiu comigo suas alegrias

Multiplicando minhas sensações

E tudo que há de bom em mim

É numericamente impossível retratar

Algoritmos não seriam o bastante

Para descrever o que sinto

Por isso, apenas digo:

“Eu te amo!”

terça-feira, 16 de junho de 2009

Engarrafamento

Presa no trânsito

O tempo que passa

E eu que não saio

Dessa desgraça!

Aperto, calor

Que horror esse odor!

A vida lá fora

Eu aqui a essa hora

Preciso de ar

Preciso respirar

Mas, como? Não dá

E eu aqui a esperar...

Barulho, zumbido

Ao lado, um gemido

O ranger do motor

Arrasta motô!

Na cara o tédio

Mas, não há remédio

Só resta esperar

Mas, vou agüentar?

Quando irei chegar?

Não dá pra suportar...

terça-feira, 5 de maio de 2009

Consumismo

Placas, palavras, símbolos
Códigos, sinais, ícones
Letras, expressões, pichações
Pra onde quer que’u olhe
Representações
Codificar, decodificar
Enigmas a me incomodar
Propagandas, letreiros
Todos os lados cheios
Basta abrir o olhar
Para se deparar
Com uma infinidade
A me informar
Cansa-me a compreensão
Tanta informação
Holofotes chamam a atenção
Veja mais um anúncio na televisão
Estou cansada dessa inundação
Estou farta de tanta apelação
Imperativos cansam-me a visão
Modelos belas, estética da evolução
Fique na moda com apenas um tostão
Se escravize ao consumo da nação.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Sem ter a ti


Noite fria
Tempestuosa e pesada
Assemelha-se a mim
Sem ter a ti
Triste fria
Sem cor e sem graça
A vida é trevas
Sem ter a ti
Tempo seco
Calorento, abafadiço
Assim sou sem ter a ti
Fico seca, quieta
Sentimentos contidos
Mas por dentro
Há calor amoroso
Uma chama inextinguível
Dia fresco e leve
Jardim tranqüilo, suave
Assim sou ao ter a ti
Floresço, desabrocho
Fico tranqüila e suave
Sou sua Morena Flor.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Metalinguagem


Aprecio poesia

Gosto muito de escrever

Porém, nunca escrevi tanto

Como ao conhecer você

Inspiração nunca me falta

Penso em ti e tudo flui

Só uma questão de tempo

E de concentração

E como passe de mágica

Surge uma composição

Quando menos imagino

Tu invades meu pensamento

E a sensação que me domina

Em verso e prosa represento

Ao pensar em ti

Cria vida à poesia

E a arte adormecida

Ganha força e energia.